Caxias do Sul ativa a maior planta industrial de Grafeno da América Latina

A economia do grafeno ganha um novo impulso com a inauguração da primeira e maior planta em escala industrial do produto na América Latina, a UCSGraphene. A unidade foi ativada em caráter provisório em julho e é vinculada à Universidade de Caxias do Sul (UCS). Com a iniciativa, a cidade gaúcha se destaca na cadeia de produção do nanomaterial, que é considerado um dos mais fortes e leves do mundo. O avanço é significativo para o Brasil, uma vez que o país tem a segunda maior reserva mundial da grafita, a matéria-prima do grafeno, e é atualmente o terceiro maior fornecedor mundial do produto, segundo a revista Amanhã.

A nova planta atua na prestação de serviços tecnológicos voltados à produção, caracterização e aplicação de grafeno e seus derivados. A unidade também é resultado de 17 anos de pesquisas avançadas na área de nanomaterais. “Por sua experiência em atuar em projetos de inovação com a indústria, o grupo de pesquisa da UCS passou a integrar a Rede MCTI/EMBRAPII de Inovação em Grafeno e a ter disponível recursos não reembolsáveis para desenvolver novas aplicações industriais para o grafeno em parceria com empresas nacionais”, cita a revista.

A importância do material tem sido destacada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, o qual avalia que o grafeno deve movimentar mais de US$ 3 bilhões nos próximos cinco anos. O ministério, inclusive, foi um dos apoiadores da primeira Feira Brasileira do Grafeno, promovida pela UCS e que contou com empresas privadas que consomem ou devem consumir o material. Um dos potenciais usuários é o mercado de armas de fogo, onde existem pesquisas avançadas de utilização, uma vez que o grafeno, entre outras características, tem uma resistência 200 vezes maior do que o aço.

Grafeno tem vários mercados para aplicação

As possibilidades de aplicação do grafeno estão crescendo em vários nichos de mercado e a Gerdau é um dos players mundiais que percebeu o movimento e tem atuado para subir a demanda. A empresa lançou, em abril, uma divisão focada ao tema, a Gerdau Graphene, voltada à comercialização do material para os mercados da construção civil, lubrificantes industriais e automotivos, borracha, termoplásticos, tintas e sensores.

O grafeno, explicou a Gerdau, é uma forma cristalina do carbono, assim como o diamante e o grafite, mas é reconhecidamente o material mais forte já encontrado e um dos melhores condutores elétricos do planeta. “O grafeno tem benefícios de propriedades mecânicas, como a redução de peso e de atrito, maior eficiência em lubrificação, maior condutividade térmica e elétrica, entre outras. Iremos comercializar tanto o produto quanto o serviço e know-how em grafeno e, para isso, contamos com alianças estratégicas com parceiros globais e nacionais. Temos como primeiro cliente a própria Gerdau e suas usinas de aço, que permite a criação e testes de novos produtos e soluções com velocidade e intimidade de aplicação”, disse Alexandre de Toledo Corrêa, diretor geral da Gerdau Graphene.

A Gerdau Graphene tem operação independente das divisões de negócio de aço e conta com escritório principal em São Paulo e uma filial nos Estados Unidos. A nova companhia faz parte do portfólio de empresas da Gerdau Next, divisão de novos negócios lançada no segundo semestre de 2020 com o objetivo de empreender em segmentos além do aço.